segunda-feira, outubro 27, 2003

Filosofando...

"Diz ai algo que me ilumine!" (Eu)

O Mito da Caverna




Por: Carlos Antonio Fragoso Guimar�es - Prof�(sic). de Psicologia

� o pr�prio Plat�o quem nos d� uma id�ia magnifica sobre a quest�o da ordem impl�cita e expl�cita no seu c�lebre "Mito da Caverna" que se encontra no centro do Di�logo A Rep�blica. Vejamos o que nos diz Plat�o, atrav�s da boca de S�crates:
Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo sagu�o de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pesco�o amarrados de tal modo que n�o possam mudar de posi��o e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde h� uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por tr�s desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros est�tuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos tamb�m que, por l�, no alto, brilhe o sol. Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por tr�s do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna.

Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver al�m das sombras das pequenas est�tuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram c�pias imperfeitas de objetos reais, eram a �nica e verdadeira realidade e que o eco das vozes seriam o som real das vozes emitidas pelas sombras. Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prendem. Com muita dificuldade e sentindo-se frequentemente tonto, ele se voltaria para a luz e come�aria a subir at� a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele come�aria a se habituar � nova vis�o com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, ap�s formular in�mera hip�teses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e s�o muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitado. Suponhamos que algu�m o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as v�rias coisas em si mesmas; e, por �ltimo, veria a pr�pria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia, ent�o, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignor�ncia acerca das causas �ltimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria � caverna a fim de libertar seus irm�os do julgo da ignor�ncia e dos grilh�es que os prendiam. Mas, quando volta, ele � recebido como um louco que n�o reconhece ou n�o mais se adapta � realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, ent�o, eles o desprezariam....
Qualquer semelhan�a com a vida dos grandes g�nios e reformadores de todas as �reas da humanidade n�o � mera coincid�ncia.


Bibliografia Sugerida
Reale, Giovanni & Antiseri, Dario. - "Hist�ria da Filosofia", vol. I, Ed. Paulus, S�o Paulo, 1990
Plat�o, Cole��o Os Pensadores, Nova Cultural, 1988.



Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento �s 4:32 PM

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